Ainda cheira a espírito juvenil

                                                                           “Porra, Jesus Cristo Todo-Foderoso, ame a mim, a mim, a mim, podemos continuar a título                                                                               de experiência, por favor, eu não me importo se for fora-da-multidão, eu só preciso de                                                                                       uma plateia, uma gangue, uma razão para sorrir” (Kurt Cobain)

 

Kurt Cobain

Se Kurt Cobain, líder do Nirvana, estivesse vivo, ele teria feito 47 anos na segunda-feira, dia 20 de fevereiro. E para quem não sabe o Nirvana é minha banda preferida desde os 12 anos, quando comecei a ouvir rock, e continua sendo uma das minhas grandes paixões musicais até hoje  e para sempre.

Filho de Wendy Elizabeth e Donald Leland Cobain, Kurt e seu Nirvana tornaram-se  o porta voz de toda uma geração, de todo um bando de garotas e garotas que via no trio Cobain, Ghrol E Novoselic a força necessária para enfrentar a dura realidade de não sem encaixar nos padrões estabelecidos.

De fato para mim o Nirvana foi o lenitivo necessário para tornar-me  o que sou, e justamente por isso eu trago hoje a indicação de um livro que é essencial, tanto para quem gosta ou gostou do Nirvana e de Kurt quanto para que gosta de ler biografias: Mais Pesado que o Céu.

Escrito por Charles R. Cross, que foi editor de uma revista de música chamada The Rocket, a biografia vai construindo, através de pesquisas documentais e entrevistas com familiares e amigos de Kurt, a face humana e frágil do garoto de olhos extremamente expressivos, que viveu em um lar difícil, com pais divorciados – o que ele nunca pode suportar – e em uma cidade pequena em que as aparências contavam mais que a própria alma, o que contribui para criar um garoto sensível que transformou sua raiva, sua dor e seus traumas em melodias, mas que não teve força suficiente para aguentar os prós e contras do sucesso estrondoso que conseguiu.

Mais Pesado que o Céu é composto de uma escrita poética e de fotografias belíssimas do acervo de Cobain e de outras pessoas, que  nos faz embrenhar profundamente na história e também nos sentimentos de um homem que, embora contra a vontade e sem que ele tenha entendido,  tornou-se a alma de toda uma geração dos anos 90 e das que viriam então.

Enfim, esteja onde estiver, Kurt, que você esteja em paz e obrigada por tudo que nos legou.

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O homem que amou as mulheres

 

Capas da Trilogia

Acredito que muitos de vocês tenham ouvido falar, tenham lido ou assistido aos três livros que compõe à Trilogia Millenium  uma vez que com o lançamento do filme versão hollywoodiana do primeiro livro da saga intitulado “Os homens que não amavam as mulheres” os holofotes voltaram-se ainda mais para essa obra.

Sim, digo ainda mais, pois o escritor e ativista político sueco Stieg Larsson, escritor da “saga” tornou-se o segundo  autor mais vendido no mundo todo em 2008 e sua obra virou Best-seller com mais de 18 milhões de  cópias vendidas em todo mundo.

Stieg Larsson

A trilogia Millenium é composta pelos títulos:  Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e o último A Rainha do Castelo de Ar.

O primeiro livro conta a história do desparecimento em 1966 de  Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada — o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada.

 Quase quarenta anos depois o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mas as inquirições de Mikael não são bem-vindas pela família Vanger. Muitos querem vê-lo pelas costas. Ou mesmo morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados — de preferência, os mais sórdidos —, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois… até um momento presente, desconfortavelmente presente.(retirado do site da Trilogia Millenium).

Dizem que o Mikael do livro é uma espécie de auter ego de Larsson, também conhecido por ser um jornalista investigativo especializado em denunciar crimes políticos em seu país. O autor morreu em 2004, por incrível que pareça de parada cardíaca depois de subir alguns lances de escadas.

Poster do filme americano

 

Os outros livros vão costurando as amarras deixadas soltas pelo livros anteriores como é de se esperar, em A menina que brincava com fogo o enredo gira em torno dos mistérios que envolvem a personagem de Lisbeth Salander e da investigação a respeito de um crime que ela supostamente cometeu e em  A Rainha  do Castelo de Ar dá-se finalmente o desfecho dessa investigação e os ditames que envolvem  Salander.

Confesso que antes de ler os livros, assim que tinha ouvido falar das obras, meu sentimento em relação a eles era um tantinho preconceituosa, isso porquê o título da saga “Millenium”, me soava como  mais um desses best-sellers estilo Crepúsculo  (que me perdoem os fãs mas a saga de Edward e Bela não me apetece nem um pouco) dotadas de sentimentalismos baratos e personagens frágeis por demais. Mas qual foi  minha surpresa quando li a sinopse das obras e tive a coragem de ler.

Millenium e especialmente Lisbeth Salander me “pegaram de jeito”. Comecei a ler e não consegui mais parar, isso porque, além do thriller policial que prende sua atenção de forma que você não consegue parar de ler e quando para não consegue deixar de pensar no que vai acontecer nas próximas páginas, os personagens, embora alguns ainda estejam presos a clichês, cativam e promovem a sua ligação com o romance.

Neste ponto, a figura de Lisbeth se destaca, e comove fazendo com que se estabeleça um caso de profundo amor com a hacker magricela, meio punk, fria, sem sensualismos baratos, ou melhor sem sensualismo nenhum, que não consegue estabelecer relações com outros seres humanos, mas que sobretudo tem um senso de moral e ética, que embora pervertido, uma vez que  não vê problema em invadir a privacidade digital dos outros, ela o faz com o intuito de lutar pelo que ela acredita e luta.

Longe da problemática que se discutiu,  se seria Lisbeth uma personagem feminista ou não, a garota tornou-se minha maior heroína. Ela pode não levantar bandeiras feministas (e eu sou feminista), ela pode não fazer grandes discursos intelectuais, mas ela simplesmente odeia os homens que não amam as mulheres, ela odeia aqueles machos que querem trancafiar as mulheres em jaulas e ofende-las, machuca-las pelo simples fatos de que acreditam em seu empoderamento sobre as mulheres. E Lisbeth? Lisbeth não é frágil, não é sexy, Lisbeth é independente, embora com grandes machucados e violência sexual, Lisbeth é forte e lutadora, como no fundo todas nós mulheres somos, lutando em prol de um lugar num mundo construído para homens. Como disse Eliane Brum em seu texto Porque amamos Lisbeth Salander, a moça é a nossa própria década.

E isso tudo talvez se explique porque Stieg Larsson, sempre foi um grande ativista, que lutava contra as organizações neonazista de seu país e que defendia os direitos das mulheres com unhas e dentes. Isso porque aos 15 anos ele viu uma moça ser estuprada por um gangue e ficou ali olhando, essa sua covardia, ou medo, ou não sei o quê, o marcou de forma tal que o fez perceber a quantidade de ódio e de dor que são legadas a nós mulheres e  Lisbeth, a moça do estupro, levantou-se em sua alma e tornou a heroína de sua famosa obra.

E heroína esta que –  diferente de vários romances policiais ou de muitos outros livros em que a mulher é sempre a que precisa ser acalentada – não é a que precisa ser salva, não é a que vive em favor de um homem mais forte e másculo e sim aquela que envolta em sua fragilidade física mostra-nos a sua grandeza de caráter, que salva Mikael do fracasso. Porque ele, assim com Larsson, não é o que conduz a história, não é o que atrai, sobretudo, mas é aquele que trata os personagens femininos em pé de igualdade, embora a sua cota de namoros seja grande, e embora ele personifique o clássico Don Juan, ele em todos os sentidos é um homem que ama as mulheres.

Lisbeth do filme sueco

 

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Entre Gatos, cafés e livros: minha “iniciação” literária

Bem-vindos

Então povo, para o meu primeiro post quero falar de uma das grandes paixões da minha vida OS LIVROS (seus lindos). Sim, esse é um dos meus assuntos preferidos que rende boas, acaloradas e divertidas conversas, rende mais até do que eu poderia escrever num blog. Mas o que quero falar aqui hoje é sobre minha história de amor com o mundo mágico da literatura. Bom esse assunto foi motivado por uma postagem do blog Umas e outras da  minha queridíssima  Joicy (sua linda) (http://jlmilinha.blogspot.com/2011/12/minha-historia-de-leitura-qual-sua.html), que contou um pouco sua entrada no mundo dos livros (nos comentários do post há ótimas histórias vale dar um conferida).

Bom a minha história de bibliófila começou mais ou menos quando eu tinha uns 4 ou 5 anos, não me lembro ao certo, mas me lembro que minha mãe havia dado para mim e minha irmã uma coleção de livros de conto de fadas lindissimos e eu sentava horas diante desses livrinhos olhando as figuras e imaginando histórias e contado-as para mim mesma (o que me ajudou a ser um tanto imaginativa penso eu).

Nessa época eu era um criança bem introvertida, esquisita nos dizeres populares, que não gostava de relacionar com outras crianças, eu apreciava ficar só, brincar só, essas coisas e então eu passava horas folheando e folheando os contos de fadas milhares e milhares de vezes e através das figuras eu criava os mais incríveis enredos.

Até que minha irmã, três anos mais velha que eu, entrou na escola e aprendeu a ler, então quando ela ia fazer seu dever de casa e lia suas lições em voz alta eu ficava ao lado dela olhando e repetindo tudo o que ela dizia o que ela odiava por sinal háháhá. Foi ai que vendo meu interesse e vontade de estudar minha mãe conseguiu que me aceitassem no colégio que ela trabalhava, porque aí eu tinha apenas 5 anos e à época não podia ir para escola com essa idade.

Me aceitaram como ouvinte no pré-escolar  e eu amei ir estudar, diga-se de passagem. E foi ai que fui aprendendo as letras e me esforçando. E eis que um dia minha mãe chega em casa (ela era professora) e me vê lendo os contos de fada e ela então leva um susto quando vê que estava lendo de fato e sozinha, sou um prodigio mesmo hahahahah. 

A partir daí não parei mais, eu lia várias vezes, e de verdade, meus livrinhos e eu descobri a Turma da Mônica e adorava, principalmente a Magali , e lia tudo que podia e passava na minha frente desde outdoors a Modos de usar de shampoo.

Lembro até hoje de uns livros que minha mãe recebia das editoras (que mandavam porque ela era professora) e eu adorava, os lia todos.

Me recordo de um, inclusive, que se chamava , sobre um menino que se transformava em ratos, que eu amava  e cheguei a decorar a história. Me lembro também de outro que  falava de uma menina vegetariana, ativista ambiental que se apaixonava pelo filho do dono de uma churrascaria, essa obra me marcou enormemente, me influenciando até mesmo na minha escolha por não comer carne.

Enfim, foi assim que começou meu caso de amor (ui) com os  livros,  e sim agradeço muito minha mãe por ter influenciado, mesmo que sutilmente essa minha paixão que levo comigo e que sei que é por causa dela que me tornei a pessoa que sou hoje, por causa da leitura, desse mundo mágico de palavras, de universos mil, de histórias variadas que me possibilitou crescer como ser humano, que me possibilitou escrever esse blog, que me rendeu prêmios de leitura e redação na escola até.

Sei que é bem clichê e tals mas é fato mais que comprovado que quem lê, escreve melhor e pensa melhor e é ai que me lembro de uma frase de Mário Quintana “Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são os homens. Os livros mudam os homens” e eu acho uma pena que no Brasil muitos ainda não se sentiram tocados à entrar nesse universo.

 

E Vocês como foi a iniciação literária?

 

(p.s: esse post foi originalmente escrito no meu outro blog Delirios Cotidianos)

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